Apetece-me escrever mas não sei sobre o quê. Vai daí lembrei-me do poema em linha reta do meu amado Álvaro de Campos ( que coisa mais abixanada!) . O tal poema em que ele diz que nunca conheceu ninguém que tivesse levado porrada e que foi ridiculo às criadas de servir, entre outras confissões meio gays. Depois se tiver pachorra meto-o aqui ao lado numa das páginas.

Mas porque que é que ainda hoje ler Álvaro de Campos pela 1ª vez é como levar um murro no estômago? Porque apesar de ser tuga como nós era capaz de se rir de si próprio. Talvez por ter crescido em Durbam, mas que se lixe.

Mas nós adoramos os ” doidos chalados” capazes de confessarem os seus medos e angustias. Para logo voltarmos à nossa pesada tradição de herdeiros duns quaisqueres Silva Pereira, familia séria e quase histórica, que exige de nós uma postura “em linha reta”.

Por vezes pergunto-me porque é que um povo tão ufano e tão ligado ao mar, nunca se deitou a afogar colectivamente???!!!

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